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26 de junho de 2011

POLÍTICA

Tangará da Serra ainda sem políticas públicas para sua juventude

Governo municipal ainda não cumpre suas obrigações básicas para garantir uma vida melhor para o segmento jovem

Da Redação

Pode até parecer inacreditável. Mas Tangará da Serra, cidade composta por mais de 83 mil habitantes, ainda está longe de dar o primeiro passo em favor do desenvolvimento das políticas públicas necessárias para a sua juventude. O governo municipal ainda não cumpre suas obrigações básicas para garantir uma vida melhor para o segmento jovem. Por causa dessa falta de atenção a decantada cidade universitária diariamente empurra dezenas de jovens para situações sociais precárias, aquém das necessidades mínimas que garantam uma participação mais ativa no processo de conquista da cidadania.

Essa ausência do município vem gerando uma situação preocupante para quem consegue melhor visualizar o tamanho do mal que está devastando jovens com idade entre 16 e 29 anos. É impossível saber no momento quantos são os aprisionados pelo alcoolismo, cigarro e os outros variados tipos de drogas.

Não há dados seguros da quantidade de jovens tangaraenses que estão submersos no mundo da criminalidade. Mas as evidências indicam que não são poucos os que trocaram os princípios legais da vida em sociedade por tortuosos caminhos oferecidos nos guetos da marginalidade.

Jovens tangaraenses têm tombado em vias públicas. Deixando suas vísceras expostas a uma sociedade insensível, apática, que não faz quase nada para alterar a situação. Outros têm sido algemados e empurrados para dentro de abarrotadas detenções acusados de envolvimento com o pesado tráfico.

O poder público e a sociedade civil organizada sabem que precisam, com urgência, definir planos e ações direcionadas a proteger, capacitar e gerar oportunidades aos jovens, de modo a mudar as tristes estatísticas. Ao invés de permanecerem de braços cruzados esperando que as mudanças despenquem do céu.

Na área de educação, o poder público precisa possibilitar que as escolas, além do conhecimento formal, gerem capacitação e profissionalização aos estudantes. Muitos jovens oriundos de escolas públicas saem do ensino médio, sem qualquer preparo para o mercado de trabalho e a vida.

Mais incentivo ao esporte por meio do apoio aos atletas, construção de centros esportivos, campos de futebol em bairros periféricos e distritos; implementações de projetos esportivos que alcancem a maior quantidade possível de jovens, parques, etc. Isso é o que se entende por políticas públicas para a juventude, ações sérias que geram excelentes resultados para a saúde e para a qualidade de vida.

É inadmissível que uma cidade como Tangará da Serra historicamente venha fazendo apenas o “arroz com feijão” quando o assunto é cultura. Esse é um dos setores mais complicados no município porque sequer conta com recursos para incentivos aos jovens criadores.

Dezenas de jovens atores, poetas, escritores, artistas plásticos, músicos, cantores e compositores, corais, etc., nem ao menos conseguem apresentar suas artes para a sociedade por falta de oportunidade.

Além das políticas que atingem as principais áreas de serviço público de uma cidade, como educação, saúde, empregabilidade e cultura, as Políticas Públicas para a Juventude também abragem assuntos novos de grande relevância como, por exemplo, as políticas de inclusão digital, que beneficiam todas as pessoas interessadas em adquirir conhecimentos sobre informática e internet, qualificando-as para o estudo e mercado de trabalho.

A população tangaraense vive cobrando intensamente que se construa com brevidade uma casa de detenção para abrigar menores infratores. Não seria mais sábio e prudente por em prática planos e ações preventivas que visassem assegurar futuro melhor para eles...

Então a sociedade e o poder público se omitem de suas obrigações sociais e ainda querem punir duplamente os infratores? Punem porque não os assistem com políticas públicas e punem jogando-os ao apodrecimento das fétidas detenções?

Dorjival Silva diz que o município poderia amparar melhor os seus jovens
Da Redação

Ex-candidato a deputado federal em 2010, o professor Dorjival Silva disse ao O Tangaraense que uma cidade do porte de Tangará da Serra deveria ter a muito tempo criado uma Secretaria para cuidar com exclusividade dos assuntos ligados à juventude. “Com certeza essa pasta não serviria apenas de peça decorativa como algumas que estão ai, e com um agravante a mais, não passam de cabides de emprego”, critica.

O professor destaca que justamente por falta desse importante braço da administração muitos jovens sem perspectivas que lhes garantam um futuro melhor estão concluindo seus estudos básicos e superiores em Tangará da Serra e depois são obrigados a procurar espaços noutras regiões do País. Mas, o mais preocupante é testemunhar jovens deixando a sala de aula por desacreditar que o amanhã não será diferente para ele e sua família.

“Isso não deveria estar acontecendo”, diz o professor Dorjival. “O município incentiva aos jovens para que aprofundem nos estudos e quando eles estão prontos para exercer suas profissões, faltam-lhes as sonhadas oportunidades do mercado de trabalho”, observa.

O incentivo para a instalação de novas indústrias e campos de trabalho são fundamentais para o crescimento da economia, porque contribui significantemente para a geração de emprego e renda para a população e de forma especial, os jovens em idade de trabalhar.

“Tangará da Serra peca quando não envida esforços nesse item. É preciso criar mecanismos para dar ocupação a nossa juventude, doutra sorte, estaremos desperdiçando essa importante força de trabalho e ainda contribuindo para que considerável parcela de jovens enverede pelo caminho da marginalidade”, pontua o educador.

Mas, políticas públicas para a juventude não implica apenas em criar frentes de trabalho. É necessário que o município através de todas as suas secretarias execute ações conjuntas e sistematizadas que busquem inserir os jovens no desenvolvido sócio, econômico e cultural da cidade.

Professor na rede estadual de ensino desde 2008, Dorjival Silva garante que em seus contatos diários com jovens e adolescentes tem percebido claramente que o jovem tangaraense vive dias de baixa estima. Ele conta que no dia a dia ouve relatos de jovens reclamando da falta de oportunidade. “Eles querem emprego. Querem ter renda própria. Reclamam que a cidade não investe como deveria, nas artes, nos esportes através de incentivos significativos, na cultura, em cursos profissionalizantes onde estudam, em diversões e lazer”, lembra.

Para Dorjival Silva, Tangará da Serra tem todas as ferramentas para planejar e executar ações favoráveis à juventude. Ele lembra que uma cidade com uma cultura mista como Tangará, que tem clubes esportivos e culturais fortes como o CTN Gonzagão e o CTG Aliança da Serra, inúmeros grupos de capoeira, de dança, corais, artistas plásticos, escritores, atores, compositores e cantores, formados em sua maioria por uma juventude ávida por novos espaços, não seria difícil conglomerar tudo num só projeto sob a direção municipal.

“É uma questão de querer. De dá ou não prioridade para os jovens se sentirem valorizados e com mais vontade de contribuir com o crescimento da cidade”, finaliza Silva.

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